
O nosso Santo no céu, nosso provável Santo na honra dos altares. Autorização para abertura do Processo para sua Beatificação. Será o primeiro na Arquidiocese de Juiz de Fora.. Várias graças a ele têm sido atribuídas. Faça seu pedido...espere e será atendido. Por Fatima Helena Oliveira de Araújo e Araújo, por tantas graças alcançadas! Obrigada Padrinho Vigário!
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Consagração.
( Texto transcrito do livro de José Marinho de Araujo " Monsenhor Marciano sua vida, sua obra").
Achamo-nos numa pequena localidade situada ao Norte do Desterro do Melo, no município mineiro de Barbacena: Remédios. Assenta-se à margem do ribeirão Brejaúbas.
Tem aspecto sombrio, triste, quieto, de um lugarejo do interior. Uma pequena praça, emoldurada pelo casario pobre. Casa de negócio. População dedicada à agricultura. Muito sossego. Muita poesia.
Transcorre o dia 24 de setembro de 1859.
Celebra-se a missa. A capela cheia. Roceiros, com trajes domingueiros, superlotavam o pequeno recinto da ermida. Pequena para conter a todos.
Terminadas as cerimônias litúrgicas, o povo se dispersa. Pela praça, dominada por modesta capela se espalham os participantes da missa, já terminada, formando grupos, entretendo conversações. Outros procurando a condução de que dispunham: cavalos ou muares. Montam-nos em busca de suas residências.
No interior da ermida, apenas uma senhora. Está só. Entregue as suas orações. Encontra-se ajoelhada, aos pés de Nossa Senhora das Mercês. É a padroeira local. A imagem é venerada num único altar existente. Pequenino, singelo, mas pitoresco. Umas flores naturais e algumas fitas vermelhas e azuis, dele pendidas, completavam-lhe o todo harmonioso.
Genuflexa, a senhora continua imersa em suas preces. O que se passa, então, pode se qualificar como imensurável cena. É comovente. Cena que, transformada em quadro, poderia celebrizar um pintor. Foi uma cena sem testemunhas que pudessem medir a grandeza do ocorrido, a magnitude do gesto, a piedade da ação, o significado exato de uma consagração. Estava, ali, uma quase mãe, a consagrar seu filho a Nossa Senhora das Mercês.
Ajoelhada, contrita, dona Florentina estava esperando um filho. Não pela primeira vez. E, naquela posição de humildade, oferecia aquele à Santa, orago da povoação. Que beleza! Que ato! Que unção espiritual!
-Minha Nossa Senhora das Mercês, eu vos entrego meu filho, próximo ao nascer, na esperança de que, dele, tomais conta, encaminhando-o na vida! Numa vida de santo, do bem e da virtude!...
Duas lágrimas, produzidas pela emoção, rolam pelas suas faces. Caídas daqueles olhos cândidos de mãe extremosa. Daquela criatura que trazia um coração confiante, nos desígnios do céu e na majestática harmonia da Providência Divina.
Confortada, levanta-se da posição de joelhos em que permanecera. Contempla, por mais uma vez, a imagem de Nossa Senhora das Mercês. À espera de que, ela, com algum movimento de cabeça, de olhos, de lábios ou de mãos, aprovasse a oferenda.
Florentina, embalada por uma força vinda das regiões siderais, tem a impressão viva que a Senhora das Mercês, encarnada naquela imagem, ali presente, assentiu na oferta. Aceitou-a, fazendo com que o fruto daquele ventre se transformasse em uma das esperanças da família, seguindo o caminho do bem e da virtude.
- Florentina:
Uma voz grossa, masculina, veio tirar a mulher daquele êxtase, daquela afinidade entre o mundo material e os páramos das coisas divinas. Era o marido que a chamava:
- Florentina, vamos!...
Dona Florentina Cecília de Siqueira sai do colóquio em que se encontrava há muito tempo. Encaminha em direção de seu marido, que a esperava, atônito, bem no centro da capela.
Antônio Bernardes da Fonseca, uma figura respeitável, de agricultor e negociante, acolhe sua esposa. Segura-lhe os braços fortes e sadios.
Ainda estava ela com os olhos rasos d’ água. Ao marido, com voz embargada, externa o seu contentamento:
- Tonho! Nossa Senhora das Mercês vai tomar conta de nosso filho!
Antônio toma a direção do altar. Ajoelha-se. Pede também à Santa, a aprovação da vontade de sua mulher. Endossa o pedido, acompanhado de uma Ave Maria, rezada com a melhor devoção.
Cá fora, um sol claro e radiante iluminava as pastagens verdes. Ao longe, o azul dos morros distantes esmaltava o fundo da paisagem.
Tem aspecto sombrio, triste, quieto, de um lugarejo do interior. Uma pequena praça, emoldurada pelo casario pobre. Casa de negócio. População dedicada à agricultura. Muito sossego. Muita poesia.
Transcorre o dia 24 de setembro de 1859.
Celebra-se a missa. A capela cheia. Roceiros, com trajes domingueiros, superlotavam o pequeno recinto da ermida. Pequena para conter a todos.
Terminadas as cerimônias litúrgicas, o povo se dispersa. Pela praça, dominada por modesta capela se espalham os participantes da missa, já terminada, formando grupos, entretendo conversações. Outros procurando a condução de que dispunham: cavalos ou muares. Montam-nos em busca de suas residências.
No interior da ermida, apenas uma senhora. Está só. Entregue as suas orações. Encontra-se ajoelhada, aos pés de Nossa Senhora das Mercês. É a padroeira local. A imagem é venerada num único altar existente. Pequenino, singelo, mas pitoresco. Umas flores naturais e algumas fitas vermelhas e azuis, dele pendidas, completavam-lhe o todo harmonioso.
Genuflexa, a senhora continua imersa em suas preces. O que se passa, então, pode se qualificar como imensurável cena. É comovente. Cena que, transformada em quadro, poderia celebrizar um pintor. Foi uma cena sem testemunhas que pudessem medir a grandeza do ocorrido, a magnitude do gesto, a piedade da ação, o significado exato de uma consagração. Estava, ali, uma quase mãe, a consagrar seu filho a Nossa Senhora das Mercês.
Ajoelhada, contrita, dona Florentina estava esperando um filho. Não pela primeira vez. E, naquela posição de humildade, oferecia aquele à Santa, orago da povoação. Que beleza! Que ato! Que unção espiritual!
-Minha Nossa Senhora das Mercês, eu vos entrego meu filho, próximo ao nascer, na esperança de que, dele, tomais conta, encaminhando-o na vida! Numa vida de santo, do bem e da virtude!...
Duas lágrimas, produzidas pela emoção, rolam pelas suas faces. Caídas daqueles olhos cândidos de mãe extremosa. Daquela criatura que trazia um coração confiante, nos desígnios do céu e na majestática harmonia da Providência Divina.
Confortada, levanta-se da posição de joelhos em que permanecera. Contempla, por mais uma vez, a imagem de Nossa Senhora das Mercês. À espera de que, ela, com algum movimento de cabeça, de olhos, de lábios ou de mãos, aprovasse a oferenda.
Florentina, embalada por uma força vinda das regiões siderais, tem a impressão viva que a Senhora das Mercês, encarnada naquela imagem, ali presente, assentiu na oferta. Aceitou-a, fazendo com que o fruto daquele ventre se transformasse em uma das esperanças da família, seguindo o caminho do bem e da virtude.
- Florentina:
Uma voz grossa, masculina, veio tirar a mulher daquele êxtase, daquela afinidade entre o mundo material e os páramos das coisas divinas. Era o marido que a chamava:
- Florentina, vamos!...
Dona Florentina Cecília de Siqueira sai do colóquio em que se encontrava há muito tempo. Encaminha em direção de seu marido, que a esperava, atônito, bem no centro da capela.
Antônio Bernardes da Fonseca, uma figura respeitável, de agricultor e negociante, acolhe sua esposa. Segura-lhe os braços fortes e sadios.
Ainda estava ela com os olhos rasos d’ água. Ao marido, com voz embargada, externa o seu contentamento:
- Tonho! Nossa Senhora das Mercês vai tomar conta de nosso filho!
Antônio toma a direção do altar. Ajoelha-se. Pede também à Santa, a aprovação da vontade de sua mulher. Endossa o pedido, acompanhado de uma Ave Maria, rezada com a melhor devoção.
Cá fora, um sol claro e radiante iluminava as pastagens verdes. Ao longe, o azul dos morros distantes esmaltava o fundo da paisagem.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Recebendo Ordem Sagrada
( por José Marinho de Araújo em seu livro " Vida e Obra de Monsenhor Marciano).
..."Marciano muito aproveitara, em seus estudos, como seminarista. Fez curso excelente. Se não fora o aluno que alcançasse o primeiro lugar, nas notas, o obtinha em aproveitamento. Era o aluno que mais revelava qualidades e tendências para bem servir à causa de Deus.
Piedoso, bom, puro de coração, portador do melhor desprendimento, angariou a confiança de seus mestres e o respeito de seus condiscípulos. Todos adivinhavam, no moço de Desterro do Melo, um padre perfeito. Perfeitíssimo !
Madrugaram, no espírito de Marciano, todos os sentimentos que devem, possuir um padre, em sua vida prática, no pastoreio de rebanhos e numa existência de recolhimento.
Enquanto seus colegas se entregavam, pelo pátio do vetusto Seminário, em divertimentos estranhos à severidade do recesso, Marciano era visto, de joelhos, junto aos altares da capela, pedindo, aos Santos, as melhores graças que os céus possuíssem. Consagrara especial devoção à Maria Santíssima. Tornava-se, dia a dia, um profundo asceta, dedicando-se inteiramente aos exercícios espirituais.
O tempo passa. Marciano ambienta- se, entre as tradicionais paredes do tradicional Seminário de Mariana, que tantos florões e doutores da Igreja premiou o Brasil.
O espírito do seminarista da fazenda de Leandro Tomaz ia fortificando- se, cada vez mais, pela fé. Os conhecimentos que vinha obtendo com os estudos necessários à sua formação sacerdotal, transformaram completamente o espírito do protegido de dom Antônio Benevides. Plasmaram-se, em Marciano, os anseios de um ermitão. Criara-se em si, em seu espírito, uma ermida simbólica, 1ocalizada bem num oásis de seus pensamentos.Não no ermo. Mas naquele halo de luz resplandecente. Ermitão de um templo radiante, de cores raras e estuantes à vista humana, espaldado pela argamassa divina. Templo com que ele sonhara e quase transformado em realidade. Tinha em seu espírito, uma forma definida, substancial, concreta, elevada...
Queria viver para Deus. Ser agradável a Nossa Senhora. As coisas terrenas, as competições humanas, iam tornando- lhe estranhas. Era de Deus e não do Mundo!
Como aluno bom, era apontado pelos seus professores chamado o mais exemplar, entre todos. O seu traço psicológico e o seu feitio moral, muito se diferenciavam de seus colegas seminaristas, que se entregavam às coisas terrenas, nas folgas que o educandário proporcionava.
Transcorre o dia 2 de maio de 1886.
Devia Marciano receber a ordem sagrada, considerada Ordem Maior. Das ordens a receber, era a quinta. Já tinha recebido quatro, mas consideradas ordens menores.
O dia amanhece festivo, no Seminário.
Marciano é o sacristão da Capela.
Cedo, muito cedo, ainda, quando o sol procurava lançar seus primeiros raios sobre as elevações que circundam Mariana, já encontramos Marciano, o piedoso sacristão, no preparo do altar, numa arrumação cuidadosa das alfaias e de tudo quanto concerne ao embelezamento da Capela.
Que manhã feliz!
Aproxima-se o momento da cerimônia.
Uma angústia, mista de medo e fraqueza, invade o espírito de Marciano.
Na sala principal, os padres preceptores distribuíam os paramentos. Os seminaristas iam vestindo-se.
- Sobrou um. De quem?
O padre-mestre conta os presentes:
- Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete... Falta um. Quem é que está faltando?
- É Marciano. Respondeu um dos seminaristas.
O padre encarregado da distribuição dos paramentos procura-o, por todos os cantos do edifício. Na Capela, não está, nem no dormitório, nem no refeitório... Não pode desaparecer um seminarista, assim!
- Será possível!... Marciano!... Marciano!...
Estava ele, só, chorando num canto de uma sala de aula.
Entregara-se a um medo inexplicável.
O preceptor o reanima:
- Coragem, Marciano!...Nossa Senhora d’Aparecida há de te dar coragem. Vamos: Pedes a sua proteção.
Com as mãos trêmulas, pega o paramento que o padre professor lhe estendia. Notou que era a veste mais antiga existente no Seminário.
Gasta, rasgada e um pouco suja. Mas não importou com esse fato. Vestiu-a.
Na sala da Capela, olhos fechados, cai, com os seus companheiros, estendendo-se ao chão, a fim de receber a ordem sagrada.
Passados minutos, procura melhor a sua posição. Olha para cima.
Sente-se imensamente confortado, ao notar que estava aos pés de Nossa Senhora das Dores.
A coragem tomou conta de seu ânimo.
Recebeu a ordem sagrada, cheio da melhor confiança. Grandemente encorajado".
..."Marciano muito aproveitara, em seus estudos, como seminarista. Fez curso excelente. Se não fora o aluno que alcançasse o primeiro lugar, nas notas, o obtinha em aproveitamento. Era o aluno que mais revelava qualidades e tendências para bem servir à causa de Deus.
Piedoso, bom, puro de coração, portador do melhor desprendimento, angariou a confiança de seus mestres e o respeito de seus condiscípulos. Todos adivinhavam, no moço de Desterro do Melo, um padre perfeito. Perfeitíssimo !
Madrugaram, no espírito de Marciano, todos os sentimentos que devem, possuir um padre, em sua vida prática, no pastoreio de rebanhos e numa existência de recolhimento.
Enquanto seus colegas se entregavam, pelo pátio do vetusto Seminário, em divertimentos estranhos à severidade do recesso, Marciano era visto, de joelhos, junto aos altares da capela, pedindo, aos Santos, as melhores graças que os céus possuíssem. Consagrara especial devoção à Maria Santíssima. Tornava-se, dia a dia, um profundo asceta, dedicando-se inteiramente aos exercícios espirituais.
O tempo passa. Marciano ambienta- se, entre as tradicionais paredes do tradicional Seminário de Mariana, que tantos florões e doutores da Igreja premiou o Brasil.
O espírito do seminarista da fazenda de Leandro Tomaz ia fortificando- se, cada vez mais, pela fé. Os conhecimentos que vinha obtendo com os estudos necessários à sua formação sacerdotal, transformaram completamente o espírito do protegido de dom Antônio Benevides. Plasmaram-se, em Marciano, os anseios de um ermitão. Criara-se em si, em seu espírito, uma ermida simbólica, 1ocalizada bem num oásis de seus pensamentos.Não no ermo. Mas naquele halo de luz resplandecente. Ermitão de um templo radiante, de cores raras e estuantes à vista humana, espaldado pela argamassa divina. Templo com que ele sonhara e quase transformado em realidade. Tinha em seu espírito, uma forma definida, substancial, concreta, elevada...
Queria viver para Deus. Ser agradável a Nossa Senhora. As coisas terrenas, as competições humanas, iam tornando- lhe estranhas. Era de Deus e não do Mundo!
Como aluno bom, era apontado pelos seus professores chamado o mais exemplar, entre todos. O seu traço psicológico e o seu feitio moral, muito se diferenciavam de seus colegas seminaristas, que se entregavam às coisas terrenas, nas folgas que o educandário proporcionava.
Transcorre o dia 2 de maio de 1886.
Devia Marciano receber a ordem sagrada, considerada Ordem Maior. Das ordens a receber, era a quinta. Já tinha recebido quatro, mas consideradas ordens menores.
O dia amanhece festivo, no Seminário.
Marciano é o sacristão da Capela.
Cedo, muito cedo, ainda, quando o sol procurava lançar seus primeiros raios sobre as elevações que circundam Mariana, já encontramos Marciano, o piedoso sacristão, no preparo do altar, numa arrumação cuidadosa das alfaias e de tudo quanto concerne ao embelezamento da Capela.
Que manhã feliz!
Aproxima-se o momento da cerimônia.
Uma angústia, mista de medo e fraqueza, invade o espírito de Marciano.
Na sala principal, os padres preceptores distribuíam os paramentos. Os seminaristas iam vestindo-se.
- Sobrou um. De quem?
O padre-mestre conta os presentes:
- Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete... Falta um. Quem é que está faltando?
- É Marciano. Respondeu um dos seminaristas.
O padre encarregado da distribuição dos paramentos procura-o, por todos os cantos do edifício. Na Capela, não está, nem no dormitório, nem no refeitório... Não pode desaparecer um seminarista, assim!
- Será possível!... Marciano!... Marciano!...
Estava ele, só, chorando num canto de uma sala de aula.
Entregara-se a um medo inexplicável.
O preceptor o reanima:
- Coragem, Marciano!...Nossa Senhora d’Aparecida há de te dar coragem. Vamos: Pedes a sua proteção.
Com as mãos trêmulas, pega o paramento que o padre professor lhe estendia. Notou que era a veste mais antiga existente no Seminário.
Gasta, rasgada e um pouco suja. Mas não importou com esse fato. Vestiu-a.
Na sala da Capela, olhos fechados, cai, com os seus companheiros, estendendo-se ao chão, a fim de receber a ordem sagrada.
Passados minutos, procura melhor a sua posição. Olha para cima.
Sente-se imensamente confortado, ao notar que estava aos pés de Nossa Senhora das Dores.
A coragem tomou conta de seu ânimo.
Recebeu a ordem sagrada, cheio da melhor confiança. Grandemente encorajado".
Ilustrações de Fátima Helena Oliveira de Araújo e Araújo.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Foto de Monsenhor Marciano, editada com muito amor,por Fatima Helena Oliveira de Araújo e Araújo
“....Recebe, com agradável surpresa, de seu Bispo, uma provisão.
Estava designado para Vigário de Santa Rita de Jacutinga.
- Onde ficará essa paróquia?
Sabia, apenas que pertencia ao Bispado de Mariana.E mais nada. Fica num longínqüo recanto da diocese. Para os lados de Juiz de Fora.
Ia Marciano residir numa terra estranha. Povo estranho. Zona muito diferente daquelas em que nascera, vivera e se formara. Tão diferente de Desterro e de Mariana.
Acompanha o documento, uma carta de dom Antônio. Nela, o Bispo declara que este era o seu desejo externado, há tempos, meses antes da ordenação de Marciano. O compromisso assumido teria que ser cumprido. Não podia contrariar o seu Bispo.
- Que fazer, o destino movimentado por um influxo divino, assim o determinava.
Um fato interessante:
A freguesia de Santa Rita de Jacutinga foi criada em julho de 1859.
E, em 17 de novembro do mesmo ano, nasce, em Desterro do Melo, uma criança, que depois de ordenado padre, viria dirigir, espiritualmente a paróquia.
Ocorrência digna de registro.
Estabeleceu-se afinidade entre padre Marciano e a criação de uma paróquia.
A viagem foi longa. Não penosa. Novos panoramas. Novas paisagens encharcaram de fulgor os olhos de Marciano.
Fê-la Marciano, a cavalo. Desde o recanto de Barbacena, onde nascera até o longínqüo recanto do município do Rio Preto, ao qual pertencia Santa Rita de Jacutinga.
Ao passar pelo povoado de São Pedro do Taguá, assentado numa das barrancas do rio Preto, depois de ver a cidade de Rio Preto, já nas proximidades de sua paróquia, padre Marciano para, mais uma vez, a fim de retribuir cumprimentos a um dos residentes do lugar.
É assim interpelado:
- O padre é liberal ou conservador?
Tratava-se de duas correntes partidárias da época, então entregues a um prélio aceso, apaixonado, por todo o Brasil. Os conservadores obedeciam ao Trono, e os liberais faziam-no intensa oposição.
Padre Marciano não teve dificuldade em esclarecer, em mostrar o partido a que pertencia:
- Sou vigário de Santa Rita .
Respondeu, com presteza e acerto, pois a única política, a que sempre desejou abraçar, foi a de servir à Santa Rita, padroeira do lugar a quem a Providência determinou ser ele o pastor de almas.
O povo de Santa Rita de Jacutinga, a localidade nascente entre os rios Bananal e Jacutinga, empurrada para a junção desses, pelo sistema montanhoso ramificante da Mantiqueira, ali estava.
Preparada para receber o novo Vigário, ali se encontrava.
Marciano chega, a cavalo, acompanhado por um tio e um primo.
Entra por uma das ruas da localidade. As janelas enchem- se de rostos femininos, alegres, numa vontade de dar as boas vindas ao novo padre. As portas enchem- se de pessoas ansiosas para o verem
Marciano cumprimenta a todos, com amabilidade e sorrisos que lhe afloravam pelos lábios.
Uma senhora lhe dirige uma pergunta, que o faz parar, em meio da rua, segurando a rédea do animal:
- O senhor é o novo padre daqui?
- Sim, minha senhora, para servir a Deus e à Santa Rita, sou o vosso Vigário.
Fustiga o animal, com uma chicotada. Continua o seu caminho. Ouvidos atentos pega esse comentário daquela senhora que o detera:
- Coitado! É vigário para pouco tempo!...
No largo da Matriz é recebido festivamente. O professor local produz um substancioso discurso de recepção. Muitas palmas, abraços, cumprimentos.
Uma banda de música, regida pelo mesmo professor, executa várias peças de seu repertório.
Os manifestantes afluíram para a residência do professor, no intuito de prestarem homenagem ao novo Vigário.
Padre Marciano foi hóspede, por quatro dias, do professor. Depois dessa estada, aluga uma casa de propriedade de um coronel da Guarda Nacional, negociante na população.

O senhorio, ao entregar- lhe a chave, recomenda-lhe com insistência:
- Peço ao padre não tocar nas couves da horta. É somente a casa que eu alugo.
Mas, dias depois, arrependendo-se da proibição imposta ao vigário, procura-o, querendo ajeitá-lo, abrindo-se em oferecimentos:
- Não, seu vigário. Pode comer as couves, à vontade, porque vejo, no senhor um bom freguês para a minha venda.
A posse, como vigário da Paróquia, se deu, no dia seguinte à sua chegada.
Celebrada a primeira missa em Santa Rita de Jacutinga.
A folhinha marcava o dia 24 de julho de 1887.
Na prática (homilia), apresenta-se aos paroquianos. Manifesta-se contente. Contentíssimo. A alegria lhe é imensa. Não lhe faltaram as lágrimas, produzidas pela emoção. Lágrimas que sempre foram, para o padre Marciano, o corolário de suas emoções, grandes ou pequenas, dolorosas ou de contentamento. Em seus sermões, práticas e discursos, foram elas, como em outras ocasiões, epílogo de homenagem recebida.
Do púlpito, promete a seus paroquianos:
-Hei de trabalhar para o bom nome desta Paróquia! O bem estar de meus paroquianos, terá, em mim, um grande defensor! Hei de amparar todas iniciativas que se me antepuserem, para o vosso bem. Para o bem do povo de Santa Rita, a quem, doravante, passarei a chamar de meu Povo!...”
Trecho do Livro Monsenhor Marciano, sua vida, sua obra. José Marinho de Araújo.
Estava designado para Vigário de Santa Rita de Jacutinga.
- Onde ficará essa paróquia?
Sabia, apenas que pertencia ao Bispado de Mariana.E mais nada. Fica num longínqüo recanto da diocese. Para os lados de Juiz de Fora.
Ia Marciano residir numa terra estranha. Povo estranho. Zona muito diferente daquelas em que nascera, vivera e se formara. Tão diferente de Desterro e de Mariana.
Acompanha o documento, uma carta de dom Antônio. Nela, o Bispo declara que este era o seu desejo externado, há tempos, meses antes da ordenação de Marciano. O compromisso assumido teria que ser cumprido. Não podia contrariar o seu Bispo.
- Que fazer, o destino movimentado por um influxo divino, assim o determinava.
Um fato interessante:
A freguesia de Santa Rita de Jacutinga foi criada em julho de 1859.
E, em 17 de novembro do mesmo ano, nasce, em Desterro do Melo, uma criança, que depois de ordenado padre, viria dirigir, espiritualmente a paróquia.
Ocorrência digna de registro.
Estabeleceu-se afinidade entre padre Marciano e a criação de uma paróquia.
A viagem foi longa. Não penosa. Novos panoramas. Novas paisagens encharcaram de fulgor os olhos de Marciano.
Fê-la Marciano, a cavalo. Desde o recanto de Barbacena, onde nascera até o longínqüo recanto do município do Rio Preto, ao qual pertencia Santa Rita de Jacutinga.
Ao passar pelo povoado de São Pedro do Taguá, assentado numa das barrancas do rio Preto, depois de ver a cidade de Rio Preto, já nas proximidades de sua paróquia, padre Marciano para, mais uma vez, a fim de retribuir cumprimentos a um dos residentes do lugar.
É assim interpelado:
- O padre é liberal ou conservador?
Tratava-se de duas correntes partidárias da época, então entregues a um prélio aceso, apaixonado, por todo o Brasil. Os conservadores obedeciam ao Trono, e os liberais faziam-no intensa oposição.
Padre Marciano não teve dificuldade em esclarecer, em mostrar o partido a que pertencia:
- Sou vigário de Santa Rita .
Respondeu, com presteza e acerto, pois a única política, a que sempre desejou abraçar, foi a de servir à Santa Rita, padroeira do lugar a quem a Providência determinou ser ele o pastor de almas.
O povo de Santa Rita de Jacutinga, a localidade nascente entre os rios Bananal e Jacutinga, empurrada para a junção desses, pelo sistema montanhoso ramificante da Mantiqueira, ali estava.
Preparada para receber o novo Vigário, ali se encontrava.
Marciano chega, a cavalo, acompanhado por um tio e um primo.
Entra por uma das ruas da localidade. As janelas enchem- se de rostos femininos, alegres, numa vontade de dar as boas vindas ao novo padre. As portas enchem- se de pessoas ansiosas para o verem
Marciano cumprimenta a todos, com amabilidade e sorrisos que lhe afloravam pelos lábios.
Uma senhora lhe dirige uma pergunta, que o faz parar, em meio da rua, segurando a rédea do animal:
- O senhor é o novo padre daqui?
- Sim, minha senhora, para servir a Deus e à Santa Rita, sou o vosso Vigário.
Fustiga o animal, com uma chicotada. Continua o seu caminho. Ouvidos atentos pega esse comentário daquela senhora que o detera:
- Coitado! É vigário para pouco tempo!...
No largo da Matriz é recebido festivamente. O professor local produz um substancioso discurso de recepção. Muitas palmas, abraços, cumprimentos.
Uma banda de música, regida pelo mesmo professor, executa várias peças de seu repertório.
Os manifestantes afluíram para a residência do professor, no intuito de prestarem homenagem ao novo Vigário.
Padre Marciano foi hóspede, por quatro dias, do professor. Depois dessa estada, aluga uma casa de propriedade de um coronel da Guarda Nacional, negociante na população.

O senhorio, ao entregar- lhe a chave, recomenda-lhe com insistência:
- Peço ao padre não tocar nas couves da horta. É somente a casa que eu alugo.
Mas, dias depois, arrependendo-se da proibição imposta ao vigário, procura-o, querendo ajeitá-lo, abrindo-se em oferecimentos:
- Não, seu vigário. Pode comer as couves, à vontade, porque vejo, no senhor um bom freguês para a minha venda.
A posse, como vigário da Paróquia, se deu, no dia seguinte à sua chegada.
Celebrada a primeira missa em Santa Rita de Jacutinga.
A folhinha marcava o dia 24 de julho de 1887.
Na prática (homilia), apresenta-se aos paroquianos. Manifesta-se contente. Contentíssimo. A alegria lhe é imensa. Não lhe faltaram as lágrimas, produzidas pela emoção. Lágrimas que sempre foram, para o padre Marciano, o corolário de suas emoções, grandes ou pequenas, dolorosas ou de contentamento. Em seus sermões, práticas e discursos, foram elas, como em outras ocasiões, epílogo de homenagem recebida.
Do púlpito, promete a seus paroquianos:
-Hei de trabalhar para o bom nome desta Paróquia! O bem estar de meus paroquianos, terá, em mim, um grande defensor! Hei de amparar todas iniciativas que se me antepuserem, para o vosso bem. Para o bem do povo de Santa Rita, a quem, doravante, passarei a chamar de meu Povo!...”
Trecho do Livro Monsenhor Marciano, sua vida, sua obra. José Marinho de Araújo.
Assinar:
Postagens (Atom)








