Recebendo Ordem Sagrada
( por José Marinho de Araújo em seu livro " Vida e Obra de Monsenhor Marciano).
..."Marciano muito aproveitara, em seus estudos, como seminarista. Fez curso excelente. Se não fora o aluno que alcançasse o primeiro lugar, nas notas, o obtinha em aproveitamento. Era o aluno que mais revelava qualidades e tendências para bem servir à causa de Deus.
Piedoso, bom, puro de coração, portador do melhor desprendimento, angariou a confiança de seus mestres e o respeito de seus condiscípulos. Todos adivinhavam, no moço de Desterro do Melo, um padre perfeito. Perfeitíssimo !
Madrugaram, no espírito de Marciano, todos os sentimentos que devem, possuir um padre, em sua vida prática, no pastoreio de rebanhos e numa existência de recolhimento.
Enquanto seus colegas se entregavam, pelo pátio do vetusto Seminário, em divertimentos estranhos à severidade do recesso, Marciano era visto, de joelhos, junto aos altares da capela, pedindo, aos Santos, as melhores graças que os céus possuíssem. Consagrara especial devoção à Maria Santíssima. Tornava-se, dia a dia, um profundo asceta, dedicando-se inteiramente aos exercícios espirituais.
O tempo passa. Marciano ambienta- se, entre as tradicionais paredes do tradicional Seminário de Mariana, que tantos florões e doutores da Igreja premiou o Brasil.
O espírito do seminarista da fazenda de Leandro Tomaz ia fortificando- se, cada vez mais, pela fé. Os conhecimentos que vinha obtendo com os estudos necessários à sua formação sacerdotal, transformaram completamente o espírito do protegido de dom Antônio Benevides. Plasmaram-se, em Marciano, os anseios de um ermitão. Criara-se em si, em seu espírito, uma ermida simbólica, 1ocalizada bem num oásis de seus pensamentos.Não no ermo. Mas naquele halo de luz resplandecente. Ermitão de um templo radiante, de cores raras e estuantes à vista humana, espaldado pela argamassa divina. Templo com que ele sonhara e quase transformado em realidade. Tinha em seu espírito, uma forma definida, substancial, concreta, elevada...
Queria viver para Deus. Ser agradável a Nossa Senhora. As coisas terrenas, as competições humanas, iam tornando- lhe estranhas. Era de Deus e não do Mundo!
Como aluno bom, era apontado pelos seus professores chamado o mais exemplar, entre todos. O seu traço psicológico e o seu feitio moral, muito se diferenciavam de seus colegas seminaristas, que se entregavam às coisas terrenas, nas folgas que o educandário proporcionava.
Transcorre o dia 2 de maio de 1886.
Devia Marciano receber a ordem sagrada, considerada Ordem Maior. Das ordens a receber, era a quinta. Já tinha recebido quatro, mas consideradas ordens menores.
O dia amanhece festivo, no Seminário.
Marciano é o sacristão da Capela.
Cedo, muito cedo, ainda, quando o sol procurava lançar seus primeiros raios sobre as elevações que circundam Mariana, já encontramos Marciano, o piedoso sacristão, no preparo do altar, numa arrumação cuidadosa das alfaias e de tudo quanto concerne ao embelezamento da Capela.
Que manhã feliz!
Aproxima-se o momento da cerimônia.
Uma angústia, mista de medo e fraqueza, invade o espírito de Marciano.
Na sala principal, os padres preceptores distribuíam os paramentos. Os seminaristas iam vestindo-se.
- Sobrou um. De quem?
O padre-mestre conta os presentes:
- Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete... Falta um. Quem é que está faltando?
- É Marciano. Respondeu um dos seminaristas.
O padre encarregado da distribuição dos paramentos procura-o, por todos os cantos do edifício. Na Capela, não está, nem no dormitório, nem no refeitório... Não pode desaparecer um seminarista, assim!
- Será possível!... Marciano!... Marciano!...
Estava ele, só, chorando num canto de uma sala de aula.
Entregara-se a um medo inexplicável.
O preceptor o reanima:
- Coragem, Marciano!...Nossa Senhora d’Aparecida há de te dar coragem. Vamos: Pedes a sua proteção.
Com as mãos trêmulas, pega o paramento que o padre professor lhe estendia. Notou que era a veste mais antiga existente no Seminário.
Gasta, rasgada e um pouco suja. Mas não importou com esse fato. Vestiu-a.
Na sala da Capela, olhos fechados, cai, com os seus companheiros, estendendo-se ao chão, a fim de receber a ordem sagrada.
Passados minutos, procura melhor a sua posição. Olha para cima.
Sente-se imensamente confortado, ao notar que estava aos pés de Nossa Senhora das Dores.
A coragem tomou conta de seu ânimo.
Recebeu a ordem sagrada, cheio da melhor confiança. Grandemente encorajado".
..."Marciano muito aproveitara, em seus estudos, como seminarista. Fez curso excelente. Se não fora o aluno que alcançasse o primeiro lugar, nas notas, o obtinha em aproveitamento. Era o aluno que mais revelava qualidades e tendências para bem servir à causa de Deus.
Piedoso, bom, puro de coração, portador do melhor desprendimento, angariou a confiança de seus mestres e o respeito de seus condiscípulos. Todos adivinhavam, no moço de Desterro do Melo, um padre perfeito. Perfeitíssimo !
Madrugaram, no espírito de Marciano, todos os sentimentos que devem, possuir um padre, em sua vida prática, no pastoreio de rebanhos e numa existência de recolhimento.
Enquanto seus colegas se entregavam, pelo pátio do vetusto Seminário, em divertimentos estranhos à severidade do recesso, Marciano era visto, de joelhos, junto aos altares da capela, pedindo, aos Santos, as melhores graças que os céus possuíssem. Consagrara especial devoção à Maria Santíssima. Tornava-se, dia a dia, um profundo asceta, dedicando-se inteiramente aos exercícios espirituais.
O tempo passa. Marciano ambienta- se, entre as tradicionais paredes do tradicional Seminário de Mariana, que tantos florões e doutores da Igreja premiou o Brasil.
O espírito do seminarista da fazenda de Leandro Tomaz ia fortificando- se, cada vez mais, pela fé. Os conhecimentos que vinha obtendo com os estudos necessários à sua formação sacerdotal, transformaram completamente o espírito do protegido de dom Antônio Benevides. Plasmaram-se, em Marciano, os anseios de um ermitão. Criara-se em si, em seu espírito, uma ermida simbólica, 1ocalizada bem num oásis de seus pensamentos.Não no ermo. Mas naquele halo de luz resplandecente. Ermitão de um templo radiante, de cores raras e estuantes à vista humana, espaldado pela argamassa divina. Templo com que ele sonhara e quase transformado em realidade. Tinha em seu espírito, uma forma definida, substancial, concreta, elevada...
Queria viver para Deus. Ser agradável a Nossa Senhora. As coisas terrenas, as competições humanas, iam tornando- lhe estranhas. Era de Deus e não do Mundo!
Como aluno bom, era apontado pelos seus professores chamado o mais exemplar, entre todos. O seu traço psicológico e o seu feitio moral, muito se diferenciavam de seus colegas seminaristas, que se entregavam às coisas terrenas, nas folgas que o educandário proporcionava.
Transcorre o dia 2 de maio de 1886.
Devia Marciano receber a ordem sagrada, considerada Ordem Maior. Das ordens a receber, era a quinta. Já tinha recebido quatro, mas consideradas ordens menores.
O dia amanhece festivo, no Seminário.
Marciano é o sacristão da Capela.
Cedo, muito cedo, ainda, quando o sol procurava lançar seus primeiros raios sobre as elevações que circundam Mariana, já encontramos Marciano, o piedoso sacristão, no preparo do altar, numa arrumação cuidadosa das alfaias e de tudo quanto concerne ao embelezamento da Capela.
Que manhã feliz!
Aproxima-se o momento da cerimônia.
Uma angústia, mista de medo e fraqueza, invade o espírito de Marciano.
Na sala principal, os padres preceptores distribuíam os paramentos. Os seminaristas iam vestindo-se.
- Sobrou um. De quem?
O padre-mestre conta os presentes:
- Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete... Falta um. Quem é que está faltando?
- É Marciano. Respondeu um dos seminaristas.
O padre encarregado da distribuição dos paramentos procura-o, por todos os cantos do edifício. Na Capela, não está, nem no dormitório, nem no refeitório... Não pode desaparecer um seminarista, assim!
- Será possível!... Marciano!... Marciano!...
Estava ele, só, chorando num canto de uma sala de aula.
Entregara-se a um medo inexplicável.
O preceptor o reanima:
- Coragem, Marciano!...Nossa Senhora d’Aparecida há de te dar coragem. Vamos: Pedes a sua proteção.
Com as mãos trêmulas, pega o paramento que o padre professor lhe estendia. Notou que era a veste mais antiga existente no Seminário.
Gasta, rasgada e um pouco suja. Mas não importou com esse fato. Vestiu-a.
Na sala da Capela, olhos fechados, cai, com os seus companheiros, estendendo-se ao chão, a fim de receber a ordem sagrada.
Passados minutos, procura melhor a sua posição. Olha para cima.
Sente-se imensamente confortado, ao notar que estava aos pés de Nossa Senhora das Dores.
A coragem tomou conta de seu ânimo.
Recebeu a ordem sagrada, cheio da melhor confiança. Grandemente encorajado".
Ilustrações de Fátima Helena Oliveira de Araújo e Araújo.
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